Roboética: um começo de conversa sobre inteligência artificial e ética

26 Aprile 2019

Roboética: um começo de conversa sobre inteligência artificial e ética

O objetivo dessa série de artigos é compreender e refletir acerca de algo que, aos poucos, torna-se cada vez mais corriqueiro na vida da sociedade, o uso dos robots, outrora, presentes somente no mundo sci fiction, e deixa as telas de cinema para se tornar realidade. Tais tecnologias são aplicadas em diferentes áreas da vida humana e, em muitas situações, levantam questões complexas, devido às próprias ambivalências decorrentes das tecnologias em si mesmas e de suas possibilidades de vulnerar o ser humano, bem como outras formas de vida ao entorno. Assim, inaugura-se, a partir desse novo campo de discussões, uma nova área de ética aplicada à robótica com a finalidade de refletir sobre tais problemáticas.

O filme “o homem bicentenário” (disponível on-line também em outras línguas), conta a história de um robot, o NDR “Andrew”, que é comprado executar serviços domésticos e, aos poucos, humaniza-se. Sua presença na família gera tensões e desconfortos, surpresas e expectativas. Neste processo de humanização do humanoide, algumas características emergem: identificar emoções das pessoas, criatividade, sensibilidade, desejo de mudar o rosto enrijecido para transmitir melhor os próprios sentimentos, desejo de liberdade, desejos e pulsões sexuais, amar, envelhecer e morrer. Portanto, a trama do processo de se humanizar do autômato toca questões fundamentais e experienciais que, somente e tão somente, o ser humano pode fazer. No filme, esse processo de humanização gera três realidades: o estranhamento do ser humano de conviver com um humanoide, reação interna da família; o medo de que a criatura supere o humano e seja incontrolável, manifestado na expressão do seu vendedor ao querer destruí-lo e a crença no desenvolvimento de tais tecnologias, na figura do seu dono que não aceita destruí-lo, e o vê como um companheiro, acredita na máquina e a quer potencializar.

Já no início do filme, Andrew, ao ser ligado, apresenta no seu manual de instrução, os chamados princípios de Isaac Asimov (1920-1992) ou as três leis da robótica: 1) Um robot não pode prejudicar um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra danos; 2) Um robot deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, a menos que essas ordens entrem em conflito com a primeira lei e 3) um robot deve proteger sua própria existência à medida em que essa proteção não conflite com a primeira ou segunda lei. Assim, mesmo de modo fictício, a obra já coloca uma série de questões que serão aprofundadas posteriormente.

p.  Rogério Gomes, CSsR

 

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