Roboética: alguns conceitos fundamentais

25 Ottobre 2019

Atualmente a interação com robots e mais do que imaginamos. Desde os mais simples, como a máquina de café expresso que lidamos no cotidiano, aos mais complexos, tais como os humanoides ou aqueles empregados nas intervenções cirúrgicas ou na guerra. Eles comportam tecnologias especializadas e, em diferentes campos do saber, para lograrem cumprir sua finalidade. Podem ser autônomas e não autônomas. Os primeiros são capazes de tomar decisões usando sofisticados sistemas computacionais, enquanto que os não-autônomos ou telerrobots necessitam de alguma supervisão ou contribuição humana nas decisões que devem empreender (link). Quanto à forma física são zoomorfos, antropomorfos, amorfos ou fixos, como no caso de uso industrial.

O conjunto de conhecimentos científicos e técnicos nesta área do saber denominamos de robótica. Roig afirma que a robótica «é a ciência e tecnologia dos robots. É uma combinação de muitas disciplinas científicas e seus campos de aplicação estão se expandindo cada vez mais» (link). Trata-se de um campo novo de estudos com diversas aplicações: militar, industrial, afetivo-sexual (affective robotics, sex tobots), cuidados (carebots), utilizados em e outras áreas biomédicas (medibots), veículos autônomos, robótica ambiental (environmental robotics), serviços domésticos, produção de veículos, reconhecimento de áreas inacessíveis, etc. [1]

Conforme se observa, a robótica possui diversas aplicações e algum tipo de interação com o ser humano, como o agente criador ou a partir das funções que o robot é programado para cumprir. Como toda tecnologia, é passível de ambivalência e tem consequências diretas ou indiretas no ambiente humano, por isso, há que refletir acerca dessa realidade. Nesse caso, surge outra área do saber, a roboética, compreendida como o «conjunto de critérios ou teorias que pretendem abordar todas essas questões éticas colocadas pelo desenvolvimento e uso de robots e que são projetados por meio de fabricantes e usuários e até mesmo pelos próprios robots. Em princípio, é a ética daqueles que criam e usam robots, embora esteja começando a adotar uma visão mais ampla que inclui os próprios robots».[2]

A impressão que se tem é que a interatividade homem x máquina acontece de modo externo. O operador que a telecomanda ou ela que toma decisões em base a sua inteligência artificial. Essa visão em parte é correta, todavia, cada vez mais aumenta o uso de microrobots ou nanorobots que são inseridos no corpo humano e fazem parte dele, rompendo cada vez mais a visão natural e artificial, de modo que o artificial será cada vez mais natural. A robotização da sociedade e o proceso de cyborgização de nossas vidas tem consequências filosóficas, éticas, jurídicas e políticas (link). Não é à toa que Asimov já previa naquele tempo as três leis da robótica.

p. Rogério Gomes, CSsR

 

 

[1] Cf. SULLINS, John P. Introduction: Open Questions in Roboethics. Article in Philosophy & Technology. · (2011) 24, p. 235–237. BONIFATI, Nunzia. Et voilà I robot. Etica ed estetica nell’era delle macchine. Milano: Springer-Verlag, 2010, p. 5; SICILIANO, Bruno, TAMBURRINI, Guglielmo. Et voilà i robot! In: BONIFATI, Nunzia. Et voilà I robot, p. 27-29.

[2] ROIG, RAFAEL DE ASÍS. Ethics and robotics. A first approach. The Age of Human Rights Journal, 2 (June 2014), p. 4.

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